Os contos de fadas ressurgem em um território de estranhamento e poder simbólico. O imaginário de princesas, bruxas, príncipes e jardins encantados é reinterpretado em silhuetas escultóricas, bordados preciosos, volumes dramáticos e acessórios que evocam relíquias mágicas.
Essa atmosfera dialoga diretamente com o trabalho de fotógrafos de moda em ascensão, como Élio Nogueira e Szilveszter Makó, cuja linguagem explora cenários oníricos, composições teatrais e personagens que transitam entre o real e o fantástico. Essa nova fantasia está longe de ser ingênua. As imagens frequentemente incorporam doses de ironia: expressões impassíveis, proporções exageradas, joias quase caricatas e elementos surrealistas que rompem com a idealização clássica.
Os dois últimos desfiles de alta-costura da Chanel também reforçam esse movimento escapista, não apenas pelos cenários que remetiam a jardins encantados e paisagens quase irreais, mas também pelas trilhas sonoras que resgatavam o romantismo nostálgico de sucessos dos anos 1990 e 2000, como Kiss Me, da banda Sixpence None the Richer, o que amplia a sensação de conto de fadas moderno.