Nascido na Europa entre o final do século XVIII e o início do XIX, o dandismo surgiu como uma expressão de distinção social, sofisticação e individualidade. Mais do que um modo de vestir, o dândi transformou a aparência em uma forma de posicionamento cultural. Hoje, em uma sociedade que valoriza a autenticidade e a liberdade de expressão, essa estética ressurge reinterpretada: alfaiataria de proporções marcantes, camisas elaboradas, gravatas, lenços, broches, tecidos nobres e referências vintage compõem um visual que equilibra tradição, excentricidade e atitude.
O retorno de John Galliano, com sua colaboração para a Zara, reforça o interesse por um universo teatral, extravagante e romântico, que dialoga com o espírito dândi. Embora historicamente associado ao guarda-roupa masculino, o dandismo contemporâneo ultrapassa as fronteiras de gênero, incluindo também mulheres e expressões fluídas.
A maquiagem ganha protagonismo como recurso de expressão e irreverência, como exemplifica o influenciador Ly.as, conhecido por combinar looks masculinos de alfaiataria clássica com batom vermelho, subvertendo códigos tradicionais de masculinidade.
Em tempos de uniformização estética e tendências aceleradas, o novo dandismo representa uma busca por identidade, repertório cultural e prazer em se vestir. Marcas como Aimé Leon Dore, Dries Van Noten, Saint Laurent e Wales Bonner traduzem essa sensibilidade em diferentes linguagens, da elegância urbana à alfaiataria artística e sofisticada. Além disso, reforçam também os novos códigos estéticos masculinos que estão cada vez menos engessados e mais permissivos.