Em Alegoria da Caverna, Platão (IV a.C) diz que o conhecimento surge gradualmente, quando o indivíduo deixa a escuridão das aparências e passa a perceber a luz da verdade. Mais tarde, no século XVII, o artista italiano Caravaggio, traz à arte o conceito chiaroscuro (claro-escuro) para expressar a tensão entre revelação e ocultamento, luz e sombra. Esta metáfora é, ainda hoje, estrutural para compreender a vida em sociedade, revelando a coexistência entre visibilidade e invisibilidade, reconhecimento e exclusão, consciência e alienação.
A exposição “Clair-obscur”, atualmente em cartaz na Bourse de Commerce, discute justamente esta tensão entre o visível e o invisível, retomando a trajetória do tema desde a pintura barroca até a arte contemporânea. A curadoria sugere que artistas atuais revisitam esse contraste para questionar identidade, memória, espiritualidade e a posição do ser humano no cosmos.
A parte de toda filosofia que pode permear o tema, luz e sombra podem ser meros artifícios estéticos para proporcionar mais expressividade, profundidade e impacto, como é o caso das fotografias de Alair Gomes, que teve recentemente uma retrospectiva de suas obras no Rio de Janeiro, ou do contemporâneo Wood Screws, baseado na China.