Os pets estão sendo cada vez menos percebidos como animais de estimação e mais como membros da família. Não é uma tendência recente, mas ela só cresce, principalmente no mercado de luxo. O mercado global de pet care movimentou cerca de US$182 bilhões em 2025 e deve chegar a US$284 bilhões até 2033, avançando a uma taxa média de 5,9% ao ano; entre os principais motores desse crescimento estão justamente a humanização e a busca por produtos premium.
Mais do que aumento de gasto, há uma mudança sociocomportamental à medida que o pet ocupa um papel afetivo central na família, os códigos de cuidado, identidade e status. As maisons vêm traduzindo essa mudança há décadas, mas houve uma grande aceleração recentemente. A Hermès, cuja origem é proveniente da fabricação de selas e acessórios de montaria, foi pioneira no desenvolvimento de coleiras e outros adereços. Em 2025, a Louis Vuitton, além de sua coleção para pets, retomou sua colaboração com Grace Coddington em Louis Vuitton Travels With Grace Coddington, levando os gatos da stylist para bolsas, roupas e objetos de viagem — não é uma coleção para animais de estimação, mas mostra como os pets passaram de “produto” para código emocional e visual.
Ao mesmo tempo, surgem marcas construídas inteiramente a partir dessa nova lógica: a Pagerie se define como uma ultra-luxury fashion house for pets, aplicando códigos de marroquinaria, materiais nobres e craftsmanship ao design pet, enquanto a DOG by Dr Lisa aproxima o cuidado animal do território contemporâneo de skincare e wellness. Talvez o maior atestamento cultural dessa transformação seja a própria Vogue ter criado a Dogue, como uma edição digital dedicada aos cães e já em sua terceira edição.